quinta-feira, abril 03, 2008

Artigo de Nuno Markl - para a geração dos 30

A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida. E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta. O grande choque, entre outros nessa
conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer. 'Quem? ', perguntou ele.
Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer! Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo? A própria música: 'Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além...' era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.

Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora. O D'Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas, lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual... E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração:

O Verão Azul. Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.

Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos: Ele nunca subiu a uma árvore! E pior, nunca caiu de uma. É um mole. Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema. Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos. Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos.

Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra. Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.

Confesso, senti-me velho...

Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador. Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft.

Óbvio,

nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros. Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído. Doenças com nomes tipo 'Moleculum infanticus', que não existiam antigamente.

No meu tempo, se um gajo dava um malho muitas vezes chamado de 'terno' nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse.

Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos. Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo. Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia. E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos
maiores com menos idade? E ainda nos chamavam geração 'rasca'...

Nós éramos mais a geração 'à rasca', isso sim. Sempre à rasca de dinheiro, sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos.

Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de presente de anos e Natal, tudo junto. Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo.

Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta.

Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos.

Antes, só havia um cromo por turma. Era o totó de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas.

É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada.

domingo, março 30, 2008

Promoção Vamos a Pequim!!!!!!!!!!!



Promoção Vamos a Pequim!!!!!!!!!!!
Ganhe duas passagens com todas as despesas pagas para a Olimpíada de Pequim 2008!

Para participar é muito fácil, basta responder correctamente as seguintes questões com relação à foto abaixo:

1. Qual o aluno que demonstra sinal de cansaço(sono)?
2. Quais são os irmãos gémeos?
3. Quantas mulheres estão no grupo?
4. Quem tem o sorriso mais alegre?

Boa sorte e boa viagem!!!

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Byonritmos por água abaixo!



Programa
Descida de Rafting rio Paiva :

DIA 9 de FEVEREIRO (confirmado)

8:30h - Saída do Porto ( café Velasquez)

9:30 - Chegada a Castelo de Paiva, breve paragem

10:0 - Vestir o equipamento

10:30 - Entrada no rio

Durante o percurso serão realizadas algumas brincadeiras sempre em
segurança e em locais escolhidos pelos nossos guias, (saltos para a
água, brincadeiras com o barco etc.

13:30 Saída do rio, reforço alimentar


Requisitos: obrigatório saber nadar, levar sapatilhas para molhar,
toalha e fato de banho.

Inscreve-te para miguel_barreto@hotmail.com ou 935593142

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Como é pessoal alinham dia 9 de FEV????



Caros Amigos , como já devem ter reparado, a chuva
finalmente chegou, e por isso a Momentos Livres já começou a "ligar os
motores dos barcos" para descermos rio abaixo... Entra nesta aventura
e vamos fazer desta descida uma festa!

Programa
Descida de Rafting rio Paiva :

DIA 9 de FEVEREIRO (comfirmado)

8:30h - Saída do Porto ( café Velasquez)

9:30 - Chegada a Castelo de Paiva, breve paragem

10:0 - Vestir o equipamento

10:30 - Entrada no rio

Durante o percurso serão realizadas algumas brincadeiras sempre em
segurança e em locais escolhidos pelos nossos guias, (saltos para a
água, brincadeiras com o barco etc.

13:30 Saída do rio, reforço alimentar


Requisitos: obrigatório saber nadar, levar sapatilhas para molhar,
toalha e fato de banho.



Vai a www.mlaventura.com e agenda a tua descida.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

O Norte segundo Miguel Esteves Cardoso

«Primeiro, as verdades.

O Norte é mais Português que Portugal.

As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.

O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela.

As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes
que já se viram.

Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana
secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à
vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca.
Verde- rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que
se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco
ao olhar. Até o granito das casas.

Mais verdades.

No Norte a comida é melhor.

O vinho é melhor.

O serviço é melhor.

Os preços são mais baixos.

Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma
ninharia.

Estas são as verdades do Norte de Portugal.

Mas há uma verdade maior.

É que só o Norte existe. O Sul não existe.

As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira,
Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta.

Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.

No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se
identifica como sulista?

No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos
falam de Portugal inteiro.

Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.

Não haja enganos.

Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.

Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.

Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que
constitui Portugal.

Mas o Norte é onde Portugal começa.

Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.

Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte,
Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito
pequenina. No Norte.

Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa.
Mais ou menos peninsular, ou insular.

É esta a verdade.

Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial
mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à
parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul -
falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do
Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a
que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.

No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito
estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não
quer a coisa.

O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.

O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho.
Tem esse defeito e essa verdade.

Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é mpecável,
porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses)
nessas coisas.

O Norte é feminino.

O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher
portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá
nas vistas sem se dar por isso.

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis,
daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se
sozinhos.

Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de
frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão
confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas,
graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas
pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as
verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram
quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma
panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo


puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os
olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos
brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de


braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como
conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas.

São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte
deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em
Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão,
numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente.

Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.

Só descomposturas, e mimos, e carinhos.

O Norte é a nossa verdade.

Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no
Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só
porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que
preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o
Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português
escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.
Depois percebi.

Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não
escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as

defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O
Norte".

Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender
Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua
pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma
terra maior, é comovente.

No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em
Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte
de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a cidade de Amarante ainda é mais bonita.
O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho
ou Trás-os- Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece
vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para
as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima
de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para
adivinhar.

O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós
todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm e
dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda a hora, com a
maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse
só um nome. Como "Norte". Como se fosse assim que chamassem uns pelos
outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos? »

Miguel Esteves Cardoso

sábado, dezembro 29, 2007

Querem uma passagem de ano em grande? cliquem neste link! Eu vou!



Quinta dos Poços
25€
Bar aberto toda a noite (mesmo!)
Porco no espeto
3 espaços + exteriores
3 dj's convidados
pequeno almoço
fogo de artificio
cerca de 800 pessoas

terça-feira, dezembro 04, 2007

sábado, dezembro 01, 2007

sábado, novembro 24, 2007

Consultas médicas

Carlos Barreira da Costa, médico Otorrinolaringologista da mui nobre e
Invicta cidade do Porto, decidiu compilar no seu livro "A Medicina na Voz
do Povo", com o inestimável contributo de muitos colegas de profissão, trinta
anos de histórias, crenças e dizeres ouvidos durante o exercício desta
peculiar forma de apostolado que é a prática da medicina. E dele não
resisti a extrair verdadeiras jóias deste tão pouco conhecido léxico que decidi
compartilhar convosco.



O diálogo com um paciente com patologia da boca, olhos, ouvidos, nariz e
garganta é sempre um desafio para o clínico:

"A minha expectoração é limpa, assim branquinha, parece com sua licença
espermatozóides".

"Quando me assoo dou um traque pelo ouvido, e enquanto não puxar pelo
corpo, suar, ou o caralho, o nariz não se destapa".

"Não sei se isto que tenho no ouvido é cera ou caruncho".

"Isto deu-me de ter metido a cabeça no frigorífico. Um mês depois fui ao
Hospital e disseram-me que tinha bolhas de ar no ouvido".

"Ouço mal, vejo mal, tenho a mente descaída".

"Fui ao Ftalmologista, meteu-me uns parafusinhos nos olhos a ver se as
lágrimas saíam".

"Tenho a língua cheia de Áfricas".

"Gostava que as papilas gustativas se manifestassem a meu favor".

"O dente arrecolhia pus e na altura em que arrecolhia às imidulas
infeccionava-as".

"A garganta traqueia-me, dá-me aqueles estalinhos e depois fica melhor".

As perturbações da fala impacientam o doente:

"Na voz sinto aquilo tudo embuzinado".

"Não tenho dores, a voz é que está muito fosforenta".

"Tenho humidade gordurosa nas cordas vocais".

"O meu pai morreu de tísica na laringe".

Os "problemas da cabeça" são muito frequentes:

"Há dias fiz um exame ao capacete no Hospital de S. João".

"Andei num Neurologista que disse que parti o penedo, o rochedo ou lá o que
é...".

"Fui a um desses médicos que não consultam a gente, só falam pra nós".

"Vem-me muitos palpites ruins, assim de baixo para cima...".

"A minha cabecinha começa assim a ferver e fico com ela húmida, assim aos
tombos, a trabalhar".

"Ou caiu da burra ou foi um ataque cardeal".

Os aparelhos genital e urinário são objecto de queixas sui generis:

"Venho aqui mostrar a parreca".

"A minha pardalona está a mudar de cor".

"Às vezes prega-se-me umas comichões nas barbatanas".

"Tenho esta comichão na perseguida porque o meu marido tem uma infecção na
ponta da natureza".

"Fazem aqui o Papa Micau (Papanicolau)?"

"Quantos filhos teve?" - pergunta o médico. "Para a retrete foram quatro,
senhor doutor, e à pia baptismal levei três".

"Apareceu-me uma ferida, não sei se de infecção se de uma foda mal dada".

"Tenho de ser operado ao stick. Já fui operado aos estículos".

"Quando estou de pau feito... a puta verga".

"O Médico mandou-me lavar a montadeira logo de manhã".

As dores da coluna e do aparelho muscular e esquelético são difíceis de
suportar:

"Metade das minhas doenças é desfalsificação dos ossos e intendência para a
tensão alta".

"O pouco cálcio que tenho acumula-se na fractura".

"Já tenho os ossos desclassificados".

"Alem das itroses tenho classificação ossal".

"O meu reumatismo é climático".

"É uma dor insepulcrável".

"Tenho artroses remodeladas e de densidade forte".

"Estou desconfiado que tenho uma hérnia de escala".

O português bebe e fuma muito e desculpa-se com frequência:

"Tomo um vinho que não me assobe à cabeça".

"Eu abuso um pouco da água do Luso".

"Não era ébrio nato mas abusava um pouco do álcool"

"Fujo dos antibióticos por causa do estômago. Prefiro remédios caseiros, a
aguardente queimada faz-me muito bem".

"Eu sou um fumador invertebrado".

O aparelho digestivo origina sempre muitas queixas:

"Fui operado ao panquecas".

"Tive três úlceras: uma macho, uma fêmea e uma de gastrina".

"Ando com o fígado elevado. Já o tive a 40, mas agora está mais baixo".

"Eu era muito encharcado a essa coisa da azia".

"Senhor Doutor a minha mulher tem umas almorródias que com a sua licença
nem dá um peido".

"Tenho pedra na basílica".

"O meu marido está internado porque sangra pela via da frente e pinga pela
via de trás".

"Fizeram-me um exame que era uma televisão a trabalhar e eu a comer papa".

"Fiz uma mamografia ao intestino".

"O meu filho foi operado ao pence (apêndice) mas não lhe puseram os trenos
(drenos), encheu o pipo e teve que pôr o soma (sonda)".

Os medicamentos e os seus efeitos prestam-se às maiores confusões:

"Ando a tomar o Esperma Canulado"- Espasmo Canulase

"Tenho cataratas na vista e ando a tomar o Simião" - Sermion

"Andei a tomar umas injecções de Esferovite" - Parenterovit

"Era um antibiótico perlim pim pim mas não me fez nada" - Piprilim

"Agora estou melhor, tomo o Bate Certo" - Betaserc

"Tomo o Sigerom e o Chico Bem" - Stugeron e Gincoben

"Ando a tomar o Castro Leão" - Castilium

"Tomei Sexovir" - Isovir

"Tomo uma cábulas à noite".

"Tomei uns comprimidos "jaunes", assim amarelados".

"Tomo uns comprimidos a modos de umas aboborinhas".

"Receitou-me uns comprimidos que me põem um pouco tonha".

"Estava a ficar com os abéticos no sangue".

"Diz lá no papel que o medicamento podia dar muitas complicações e
alienações".

"Quando acordo mais descaída tomo comprimidos de alta potência e fico logo
melhor".

"Ó Sra. Enfermeira, ele tem o cu como um véu. O líquido entra e nem actua".

"Na minha opinião sinto-me com melhores sintomas".

O que os doentes pensam do médico:

"Também desculpe, aquela médica não tinha modinhos nenhuns".

"Especialista, médico, mas entendido!".

"Não sou muito afluente de vir aos médicos".

"Quando eu estou mal, os senhores são Deus, mas se me vejo de saúde
acho-vos uns estapores".

"Gosto do Senhor Doutor! Diz logo o que tem a dizer, não anda a engasular
ninguém".

"Não há melhor doente que eu! Faço tudo o que me mandam, com aquela coisa
de não morrer".

domingo, novembro 11, 2007

domingo, outubro 28, 2007

Marisa Monte - O que me importa

Jorge Palma - Encosta-te a Mim

Encosta-te a mim

Encosta-te a mim,
nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim,
talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim,
dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou,
deixa-me chegar.
Chegado da guerra,
fiz tudo p´ra sobreviver em nome da terra,
no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem,
não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói,
não quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.
Encosta-te a mim,
desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.
Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo o que não vivi,
um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim

quarta-feira, outubro 10, 2007

I'm a creep...

A Gorilla's Moment...

domingo, outubro 07, 2007

Birds

terça-feira, outubro 02, 2007

business time

business time... eh eh eh

sexta-feira, setembro 28, 2007

La Boda... O Casamento...

quarta-feira, agosto 22, 2007

sexta-feira, julho 27, 2007

... e estão todos convidados!!!
Posted by Picasa

segunda-feira, junho 11, 2007

quarta-feira, abril 04, 2007

terça-feira, março 27, 2007

Pura Conspiração II

olha afinal temos uma presidenta!!!

terça-feira, março 13, 2007

sábado, fevereiro 17, 2007

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Carlos Nunez

muito byonritmos... excepto o cache hehe

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Caetano Veloso - Voce e Linda

Adoro esta musica! Espero que tb gostem...

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Byonritmos 2007

Dado o sucesso da primeira edição ora venha a segunda edição do festival Byonritmos .

ver site oficial BYOMRITMOS - Festival

Vídeo da edição 2006 Video BYONRITMOS



O Byonritmos é um festival organizado por um grupo de amigos de Baião, com o patrocínio do pelouro da cultura da Câmara Municipal de Baião.
Encontramo-nos já a trabalhar na edição de 2007.

Deste modo apelo a todas as bandas de originais interessadas em participar a enviar os dados abaixo indicado

nome da banda:
género:
nº de elementos:
Local:
web site:
myspace:
contacto telefónico:
Chache pretendido:
Referencias:
outros:
Rider técnico:

As bandas interessadas podem contactar via email para


gezt@mail.telepac.pt


Condições

Estará no local um PA - (Só terão de trazer o Back line)
Duração de concerto 45 minutos a 1 hora sem intervalo.
Dormida e Jantar para o dia de concerto.





Data do evento

Mês de Agosto 2007


PS: Baião fica a 60 Km de Porto e Vila Real

Mais questões coloquem no Email pauloviolas@hotmail.com


quinta-feira, janeiro 11, 2007

Jovens pelo SIM


Porque acho estupido meter mulheres inocentes na cadeia!!!
Posted by Picasa

Bilhete pra festa de passagem de ano ------ 24€
Chapeu emprestado ----------------------- 0€
Bacardi lemon ----------------------------- á borliu
emplastro a sorrir pra foto ----------------- custa nix
muito sangue no alcool --------------------- deixa tar amanha passa...
calças todas molhadas que até parece... ----- não tem preço
Posted by Picasa

quarta-feira, janeiro 03, 2007

domingo, dezembro 24, 2006

Passagem de ano 2006-2007

Aqui está a mensagem do organizador da festa:

Caros amigos venho anunciar que, mais uma vez, vamos organizar a grande
Festa de Passagem de Ano!

Organização: Elisiário Cunha(Lalo), Nuno Rei, David Novais.

Local: Quinta dos Poços (estrada Póvoa/Famalicão, 1O min da Póvoa).

Condições:
- Bar aberto (MESMO BAR ABERTO DO INÍCIO AO FIM)
- Comida (bifanas, bolo rei, caldo verde,.....)
- 2 espaços
- 3 djs
- Espectáculo pirotécnico (com algumas surpresas)
- Oferta/sorteio de actividades outdoor (paintball, descida
de rio em canoa, orientação....) - com apoio da empresa Minhaventura
- Possibilidade de aluguer de casa ou apartamento na própria
Quinta dos Poços

Nº de pessoas do ano anterior- 550 pessoas

Estimativa para este ano - 700/800 pessoas

A organização deseja a todos um bom Natal e claro a melhor Passagem de Ano
de sempre!

Informações: passagem_ano@hotmail.com

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Passagem de ano 2006-2007

Passagem de ano 2006-2007
Vai ser de arromba! Vai ser na quinta dos poços como o ano passado. Todo o mundo vai estar presente e não tem hora pra acabar!

Pra quem não foi o ano passado a festa vai ter champanhe, passas, bolo rei, bar aberto all night long, snacks, fogo de artificio, muita animação, pequeno almoço (sim, porque dura até de manha), entre muitas outras surpresas!

É uma festa tipo privada mas aberta a toda a gente. Podes convidar todos os teus amigos!
O ano passado teve cerca de 600 pessoas...

Espero que venhas e tragas amigos, só posso garantir que vai ser muito fixe!

PS: o preço são 24 aéreos

quinta-feira, novembro 23, 2006

Apanhados da televisão portuguesa - 1/8 (TVI)

Conjunto de apanhados em entrevistas da televisão portuguesa. Estes são da TVI.
Isto tá de partir o coco a rir..

quarta-feira, novembro 08, 2006

Moon Cresta - Funkatronic

Descobri o grupo Moon Cresta no festival Byonritmos em Baião e tornamo-nos amigos. São um grupo espanhol com um estilo denominado Powerfunk, um genero tipo Jamiroquai... Têm grande qualidade musical e acabaram de lançar o primeiro album! Meus amigos só vos desejo muita sorte para o futuro! Abraço

sexta-feira, outubro 20, 2006

Jazz&Pintura

Estão todos convidados para a Inauguração da Exposição Colectiva de Pintura que terá lugar no próximo dia 20 de Outubro pelas 21h, no Auditório Municipal de Baião, mantendo-se patente ao público até dia 8 de Novembro.

APAREÇAM!!!

segunda-feira, outubro 02, 2006

Youtube

Mais noticias Byonritmos:

O paulo e o bruno criaram o youtube do byonritmos http://www.youtube.com/watch?v=1b_LDX3z8ts

O grupo espiral tb tem um video no byonritmos
http://www.youtube.com/watch?v=dFtkQwYNdms

O proximo festival já está a ser pensado assim como várias iniciativas culturais de promoção do festival!

Stay tuned!

quarta-feira, setembro 13, 2006

ByOnRitmos


BYONRITMOS – Festa da Diversidade!

Decorreu nos dias 25 e 26 de Agosto

Na zona que envolve a majestosa Casa da Juventude de Baião, nas margens do Rio Ovil, encosta da Serra da Aboboreira, nasceu um novo festival - BYONRITMOS – Festa da Diversidade -

onde debaixo do mesmo céu, se pretenderam juntar diferentes tendências e gostos musicais. Na primeira noite, juntou a soul music dos UGO ao rock dos ChemicalWire, passando pela originalidade do funk galego dos MoonCresta, que surpreendeu e extasiou a plateia.

No sábado, depois da arruada dos Espiral, que abriu o programa, os Sativa deram largas ao seu reggae portuense, que desde logo incendiou o espaço do festival; a noite continuou com Gezt passando pelo som da fanfarra de bombos, saxofone e acordeão que preparou a plateia para o concerto mais pesado da noite – MOSH. Luís Filipe Borges, da Revolta dos Pasteis de Nata, foi o anfitrião durante os dois dias de festival, inundando a todo o momento o palco, com a sua espontaneidade e humor próprio.

Romperam as madrugadas com a aguardada Metropolis Party, que alternou, no palco montado para o efeito, diferentes sons pela mão de diferentes gerações de DJ's. Foi ainda possível, ouvir neste recinto, o som das gaitas-de-foles e percussão, que faziam voltar a esta pista/eira, ritmos imemoriais.

Durante todo o tempo que decorreu o festival foi ainda possível o slide sobre a eira, a escalada, os confrontos em paitball e a pintura mural, de onde resultaram 6 magníficos murais, realizados por centenas de artistas, de entre público, e que contou também com participação de vários elementos de todas as bandas presentes.

É já uma promessa, para o ano teremos mais!

www.byonritmos.com

Para mais informações:

e-mail 1 : info@byonritmos.com

e-mail 2 : byonritmos@gmail.com

sábado, agosto 12, 2006

Festas de S. Bartolomeu

Estão quase a chegar mais umas festas de S. Bartolomeu.
Este ano decorrem de 18 (sexta) a 24 (quinta).

As festas da terrinha são sempre aquela maluqueira que ninguem gosta de faltar e onde acontecem sempre coisas inesperadas...
Este ano promete! Como é habitual a começar no lareira e a acabar em minha casa ;) As gaitas de foles já estão afinadas, as violas preparadas e os djs a escolher as musicas.

É incrivel como estas festas cada vez têm mais adeptos! Cada amigo que trago ás festas, é mais um que fica fascinado com isto. As festas têm uma parte tradicional muito forte, com o fogo de artificio, fogo preso, tourada, o anho assado, as barraquinhas com artesanato e fumeiro, os romeiros, entre outros. Os romeiros de S. Bartolomeu são grupos de foliões organizados que reinam numa das noites das festas. É uma noite "in extremis" onde tudo é permitido e não há ninguem que a pare! As festas têm um ambiente de folia e diversão dificilmente comparável com outras festas ou eventos do genero. Quem não está habituado adora, quem está não quer perder pitada! Durante o dia temos ainda as Piscinas, a praia fluvial, o rio Douro e muitas coisas pra descontrair.

Este ano tem uma novidade! No fim das festas começa o festival da juventude dias 25 e 26 de agosto, com alguns grupos de baião e outros que poderão surpreender. Vejam em http://www.byonritmos.com/

A todos os meus amigos que quiserem marcar presença, já sabem, falem cmg .

Beijos e abraços e muita diversão

segunda-feira, junho 19, 2006

Lameira Summer Festival


A VERDADEIRA FESTA DE ABERTURA DO VERAO 2006!!!

Bar Aberto(ate nao poderes mais!!)

10 Veroes
15 Veroes - No dia

Org: Nuno Rei & Nelson Filipe

COM ANOES,GIBOIAS, UM REI MARROQUINO E TODO O TIPO DE PASSARADA

http://www.hi5.com/friend/profile/displayProfile.do?userid=78583821

quarta-feira, abril 26, 2006

«O Norte» - segundo Miguel Esteves Cardoso

Primeiro, as verdades. O Norte é mais Português que Portugal. As minhotas são as raparigas mais bonitas do País. O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela. As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.
Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta.
Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas. Mais verdades. No Norte a comida é melhor. O vinho é melhor. O serviço é melhor. Os preços são mais baixos. Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia. Estas são as verdades do Norte de Portugal. Mas há uma verdade maior. É que só o Norte existe. O Sul não existe. As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, etc., existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta. Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.
No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista? No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.
Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.
Não haja enganos. Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.
Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal. Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal. Mas o Norte é onde Portugal começa. Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo. Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte. Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa. Mais ou menos peninsular, ou insular. É esta a verdade. Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte.
Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente. No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa. O Norte cheira a dinheiro e a alecrim. O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade. Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.
O Norte é feminino. O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.
As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos. Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros.
Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas. São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.
As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente. Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial. Só descomposturas, e mimos, e carinhos.
O Norte é a nossa verdade.
Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório.
Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu.
Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.
Depois percebi. Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte". Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo.
Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente. No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima.
Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita. O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego?
Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.
O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm de dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como "Norte". Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?

sábado, abril 15, 2006

meeeeeeeee

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A festa do meu aniversário

Obrigado a todos os meus amigos que me proporcionaram uma festa de aniversário inesquecível!

Queria agradecer em especial ao Dj Nuno Rei que se esmerou e teve a bombar, aos andarilhos pela animação que criaram, a todos os que me ajudaram a preparar a festa e os que marcaram presença na festa.

Estão de parabens também todos akeles que ganharam a taça! hehe

Já estão disponiveis as fotos do meu aniversário no endereço
http://spaces.msn.com/constructor99/photos/

Beijos e abraços

domingo, fevereiro 26, 2006

Festa de carnaval em Vila Real

Este carnaval vai ser demais!!! Posted by Picasa

sábado, fevereiro 18, 2006

Janta dos "Amigos do Baião"

Pois é pessoal... mais uma janta
Pra festejar o fim dos exames não há nada como um jantar com os amigos para vingar toda a abstinencia de alcool e convivio a que estivemos sujeitos durante tanto tempo.

É tempo de beber para esquecer ou beber pra festejar...
É tempo de borga, diversão e de encontrar os amigos que já não vemos há algum tempo.

A janta fica marcada pra dia 24, sexta feira. O ponto de encontro é no Piolho ás 20h zero zero.
Confirmem-me até quarta ou quinta

Beijos e abraços

Fantasporto 2006 - Não percam!!!

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sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Afinal o desenrasque é bom ou mau?

Uma das características distintivas da gestão em Portugal parece ser o desenrasque. Um estudo feito com gestores portugueses e expatriados em Portugal assim o indicava, traduzindo de resto uma intuição corrente. Os portugueses parecem ser mestres na arte do desenrasque e aparentemente demonstram algum orgulho nisso. Mas, afinal, o que é o desenrasque? Quais as suas consequências?

O desenrasque é por vezes tomado como sinónimo de improviso ou improvisação. Talvez valha a pena, no entanto, traçar uma distinção entre ambos. A improvisação é a arte da variação criativa deliberada sobre uma estrutura ou um plano. A improvisação necessita de estrutura, embora divirja dela. A estrutura é um apoio à criatividade, pelo que a improvisação ocorre melhor na presença de estruturas mínimas, isto é, suficientemente fortes para facilitarem a coordenação e a harmonia, mas abertas à novidade.

Nas organizações, essas estruturas podem tomar a forma de objectivos e responsabilidades. No jazz podem ser uma melodia e um conjunto de convenções sociais.

A improvisação é, em suma, um processo paradoxal, altamente estruturado e profundamente criativo. O desenrasque parece ser mais criativo que estruturado. É um jazz menos melodioso e mais livre. Pode produzir pequenos milagres e envolve uma componente criativa que é estimulante para os seus praticantes. Não é por acaso que ser "enrascado" é socialmente negativo e ser "desenrascado" é um motivo de orgulho.

Será o desenrasque um exclusivo português? Nada o leva a crer, já que existe evidência da mesma preferência por acção do tipo improvisado/desenrascado noutros países, designadamente nos latinos, incluindo a Espanha.

O horror ao desenrasque parece aliás maior junto dos profissionais oriundos de países com práticas de gestão mais desenvolvidas ao longo de décadas de gestão moderna - e afinadas na burocracia genuinamente moderna do Norte da Europa e não na sua aparentada pré- -moderna, que se difundiu no Sul da Europa, onde ainda persiste. Nos países do Norte, os planos são tomados a sério, as regras são universais e os desvios devem ser excepcionais. No Sul, os planos terminam muitas vezes com a apresentação em power point, as regras admitem uma paleta de excepções e o seguimento do plano é a excepção.

Em termos da superioridade dos modelos, os resultados falam por si. O orgulho lusitano na arte do desenrasque talvez apenas mostre que "there can be too much of a good thing". A consequência são anedotas como a relatada por um participante no estudo acima referido "A fábrica ideal na Europa teria gestores holandeses e operários alemães. Ao meio, dentro de uma redoma de vidro um português. No vidro estaria colado o aviso: quebrar em caso de emergência." C

Para desenvolver o assunto

Aram, J. D., & Walochik, K. (1996). Improvisation and the Spanish Manager. International Studies of Management and Organization, 26 73-89.

Ballas, A. A. & Tsoukas, H. (2004). Measuring Nothing The Case of the Greek National Health System. Human Relations, 57, 661-690.

Cunha, M. P. (2005). Adopting or Adapting? The Tension between Local and International Mindsets in Portuguese Management. Journal of World Business, 40(2), 188-202.
Miguel Pina e Cunha

Director de MBA da Universidade Nova de Lisboa

O cerco

JÁ FALTOU mais para que um dia destes tenha de passar à clandestinidade ou, no mínimo, tenha de me enfiar em casa a viver os meus vícios secretos. Tenho um catálogo deles e todos me parecem ameaçados: sou heterossexual «full time»; fumo, incluindo charutos; bebo; como coisas como pezinhos de coentrada, joaquinzinhos fritos e tordos em vinha d'alhos; vibro com o futebol; jogo cartas, quando arranjo três parceiros para o «bridge» ou quando, de dois em dois anos, passo à porta de um casino e me apetece jogar «black-jack»; não troco por quase nada uma caçada às perdizes entre amigos; acho a tourada um espectáculo deslumbrante, embora não perceba nada do assunto; gosto de ir à pesca «ao corrido» e daquela luta de morte com o peixe, em que ele não quer vir para bordo e eu não quero que ele se solte do anzol; acredito que as pessoas valem pelo seu mérito próprio e que quem tem valor acaba fatalmente por se impor, e por isso sou contra as quotas; deixei de acreditar que o Estado deva gastar os recursos dos contribuintes a tentar «reintegrar» as «minorias» instaladas na assistência pública, como os ciganos, os drogados, os artistas de várias especialidades ou os desempregados profissionais; sou agnóstico (ou ateu, conforme preferirem) e cada vez mais militantemente, à medida que vou constatando a actualidade crescente da velha sentença de Marx de que «a religião é o ópio dos povos»; formado em direito, tornei-me descrente da lei e da justiça, das suas minudências e espertezas e da sua falta de objectividade social, e hoje acredito apenas em três fontes legítimas de lei: a natureza, a liberdade e o bom senso. Trogloditas como eu vivem cada vez mais a coberto da sua trincheira, numa batalha de retaguarda contra um exército heterogéneo de moralistas diversos: os profetas do politicamente correcto, os fanáticos religiosos de todos os credos e confissões, os fascistas da saúde, os vigilantes dos bons costumes ou os arautos das ditaduras «alternativas» ou «fracturantes». Se eu digo que nada tenho contra os casamentos homossexuais, mas que, quanto à adopção, sou contra porque ninguém tem o direito de presumir a vontade «alternativa» de uma criança, chamam-me homofóbico (e o Parlamento Europeu acaba de votar uma resolução contra esse flagelo, que, como está à vista, varre a Europa inteira); se a uma senhora que anteontem se indignava no «Público» porque detectou um sorriso condescendente do dr. Souto Moura perante a intervenção de uma deputada, na inquirição sobre escutas na Assembleia da República, eu disser que também escutei a intervenção da deputada com um sorriso condescendente, não por ela ser mulher mas por ser notoriamente incompetente para a função, ela responder-me-ia de certeza que eu sou «machista» e jamais aceitaria que lhe invertesse a tese: que o problema não é aquela deputada ser mulher, o problema é aquela mulher ser deputada; se eu tentar explicar por que razão a caça civilizada é um acto natural, chamam-me assassino dos pobres animaizinhos, sem sequer quererem perceber que os animaizinhos só existem porque há quem os crie, quem os cace e quem os coma; se eu chego a Lisboa, como me aconteceu há dias, e, a vinte quilómetros de distância num céu límpido, vejo uma impressionante nuvem de poluição sobre a cidade, vão-me dizer que o que incomoda verdadeiramente é o fumo do meu cigarro, e até já em Espanha e Itália, os meus países mais queridos, tenho de fumar envergonhadamente à porta dos bares e restaurantes, como um cão tinhoso; enfim, se eu escrever velho em vez de «idoso», drogado em vez de «tóxicodependente», cego em vez de «invisual», preso em vez de «recluso» ou impotente em vez de «portador de disfunção eréctil», vou ser adoptado nas escolas do país como exemplo do vocabulário que não se deve usar. Vou confessar tudo, vou abrir o peito às balas: estou a ficar farto desta gente, deste cerco de vigilantes da opinião e da moral, deste exército de eunucos intelectuais. Agora vêm-nos com esta história dos «cartoons» sobre Maomé saídos num jornal dinamarquês. Ao princípio a coisa não teve qualquer importância: um «fait-divers» na vida da liberdade de imprensa num país democrático. Mas assim que o incidente foi crescendo e que os grandes exportadores de petróleo, com a Arábia Saudita à cabeça, começaram a exigir desculpas de Estado e a ameaçar com represálias ao comércio e às relações económicas e diplomáticas, as opiniões públicas assustaram-se, os governantes europeus meteram a viola da liberdade de imprensa ao saco e a srª comissária europeia para os Direitos Humanos (!) anunciou um inquérito para apurar eventuais sintomas de «racismo» ou de «intolerância religiosa» nos «cartoons» profanos. Eis aonde se chega na estrada do politicamente correcto: a intolerância religiosa não é de quem quer proibir os «cartoons», mas de quem os publica! A Dinamarca não tem petróleo, mas é um dos países mais civilizados do mundo: tem um verdadeiro Estado Social, uma sociedade aberta que pratica a igualdade de direitos a todos os níveis, respeita todas as crenças, protege todas as minorias, defende o cidadão contra os abusos do Estado e a liberdade contra os poderosos, socorre os doentes e os velhos, ajuda os desfavorecidos, acolhe os exilados, repudia as mordomias do poder, cobra impostos a todos os ricos, sem excepção, e distribui pelos pobres. A Arábia Saudita tem petróleo e pouco mais: é um país onde as mulheres estão excluídas dos direitos, onde a lei e o Estado se confundem com a religião, onde uma oligarquia corrupta e ostentatória divide entre si o grosso das receitas do petróleo, onde uma polícia de costumes varre as ruas em busca de sinais de «imoralidade» privada, onde os condenados são enforcados em praça pública, os ladrões decepados e as «adúlteras» apedrejadas em nome de um código moral escrito há quase seiscentos anos. E a Dinamarca tem de pedir desculpas à Arábia Saudita por ser como é e por acreditar nos valores em que acredita? Eu não teria escrito nem publicado «cartoons» a troçar com Maomé ou com a Nossa Senhora de Fátima. Porque respeito as crenças e a sensibilidade religiosa dos outros, por mais absurdas que elas me possam parecer. Mas no meu código de valores - que é o da liberdade - não proíbo que outros o façam, porque a falta de gosto ou de sensibilidade também têm a liberdade de existir. E depois as pessoas escolhem o que adoptar. É essa a grande diferença: seguramente que vai haver quem pegue neste meu texto e o deite ao lixo, indignado. É o seu direito. Mas censurá-lo previamente, como alguns seguramente gostariam, isso não. É por isso que eu, que todavia sou um apaixonado pelo mundo árabe e islâmico, quanto toca ao essencial, sou europeu - graças a Deus. Pelo menos, enquanto nos deixarem ser e tivermos orgulho e vontade em continuar a ser a sociedade da liberdade e da tolerância.
De Miguel Sousa Tavares no expresso